quarta-feira, 15 de abril de 2026

Neemias 4 - Enfrentando as oposições

eemias 4.14 - A batalha pela Família

Introdução

Neemias foi alguém nascido no período de exílio babilônico, ou seja, embora seja judeu, não nasceu nas terras de seu povo, seu nome significa “Aquele que Deus consola”. Neemias era filho de Hacalias, tinha um irmão chamado Hanani.

O cargo de copeiro surgiu nas sociedades antigas por causa do perigo causado pelos rivais do rei, o copeiro era uma pessoa de confiança, logo deveria ser muito estimado pelo rei.

Vamos considerar alguns pontos:

 

1º - A invasão e destruição de Jerusalém.

 

● Em 605 A.C. ocorre a primeira invasão.

● Na segunda invasão que ocorre em 597 A.C são levados mais jovens no esforço de desvincular suas mentes e corações da cultura em que haviam nascido;

● O ataque final se dá em 586 A.C.; nesse contexto é destruído o templo, o rei tem olhos vazados tendo sua última visão sendo a morte de seus filhos.

● Três pilares são destruídos: O templo, o trono e a terra. Todos eles estavam ligados a promessas condicionais que os Israelitas se apegavam em extremo.

● Num espaço de 19 anos, já não há mais nada: Templo, trono e terra.

● Seriam 70 anos exilado.

 

 

2º - O tempo que os muros permaneceram inacabados

Embora houvesse um retorno de pessoas a Jerusalém e houvesse uma disposição em completar a obra a partir do decreto de Ciro, as oposições se multiplicaram.

● Sem muros a nação era extremamente vulnerável em suas defesas.

● Sem muros as casas estavam expostas a qualquer ataque dos vizinhos.

● Sem muros não seriam bem delimitados os termos de Jerusalém e de outras cidades, logo, pela fragilidade eles poderiam perder território.

● Sem muros haveria sempre o receio de plantar e gerar riqueza, logo a nação estava empobrecendo.

À medida em que o tempo passa há um sentimento de conformidade tomando conta das pessoas, se acostumam a ter invasões dos vizinhos na hora que queriam, se acostumam as ameaças, se acostumam a serem extorquidos pelos Samaritanos (que antes eram irmãos), pelos próprios compatriotas mais ricos.

A soma entre o tempo em que os muros estavam derrubados e a chegada de Neemias compõe 141 anos, ou seja, duas gerações inteiras haviam se passado, sem proteção, sem delimitação de espaço, sem nenhum tipo de garantia de território.

 É tempo suficiente para desistir de qualquer tipo de mudança.

O templo foi destruído em 586 A.C. e Neemias retorna apenas em 445 A.C.; são ao todo 141 anos sem que haja muros completos em Jerusalém, uma obra de 4 quilômetros de extensão, até 8 metros de altura.

Ninguém mais acreditava que seria possível novamente erguer os muros.

3º - A interrupção após a volta

Nos dias de Zorobabel, o povo continuou a construção da cidade, porém, foram logo interrompidos por Reum e Sinsai.

● A princípio há uma tentativa dos Samaritanos de se infiltrar como trabalhadores – Esdras 4.1-2

● Dada a rejeição, eles optam por perturbar a obra e inquietam os trabalhadores – Esdras 4.4

● Alugaram conselheiros para frustrar o povo – 4.5

● Essa oposição se dá desde o reinado de Ciro até Dário; no reinado de Assuero eles fazem uma primeira acusação formal – V.6

● Uma segunda carta contendo acusações ainda mais graves é enviada a Artaxexes:

Esdras 4:12-23

Esse ato de impedir a obra foi feito com força e violência, há grandes chances de que não apenas a tenham interrompido, mas sobretudo eles tenham destruído os muros que finalmente estavam sendo levantados.

Nessa destruição dos muros ainda no início da obra, provavelmente queimaram as portas, esses novos atos que causaram consternação em Neemias.

O povo até tentou reconstruir os muros, mas sua tentativa foi interrompida pelo mesmo império que os enviou.

Não era possível recorrer, não era possível dialogar, eles não tinham força para levar a questão e os argumentos escolhidos eram muito fortes, logo o melhor a fazer era de fato parar.

E assim a obra permaneceu até os dias de Neemias, parada por ordem do rei.

 

A leitura de Neemias da situação

Neemias soube de todo esse cenário em algum dia do mês de Quisleu, passaram-se muitos anos da primeira caravana de judeus e o cenário é o seguinte:

● As portas foram destruídas pelo fogo - 2.13

● Havia tantos escombros que não se passava sequer com animais - V.14

● A cidade estava em ruínas - V.17

● A zombaria dos vizinhos - V.19

● Tentativas de infiltração

O lamento de Neemias

Ao saber do estado atual de seu povo, Neemias chora, se lamenta por vários dias e ora ao Deus dos céus pelo período mínimo de 4 meses.

Passado este tempo, Neemias se apresenta triste diante do rei, algo que nunca antes havia acontecido.

Os reis Persas eram muito supersticiosos.

Quando a ocasião de pedir as coisas ao rei chega, Neemias está pronto para pedir com exatidão:

● Ele quer reconstruir a cidade

● Ele quer um tempo para isso

● Ele quer cartas aos governadores do caminho.

● Uma carta a Asafe (Um homem que possuía muito material para doar).

● O rei ainda concede alguns oficiais para acompanhar Neemias.

 

A caminhada Cristã, também é uma construção

 

O Senhor é o arquiteto e a pedra fundamental, todos nós, somos pedras vivas postas sobre o alicerce que é Cristo. Isso em linhas gerais fala da igreja e de sua construção.

 

Porém a palavra nos inclui nas responsabilidades pela construção, não a construção da igreja, pois, esta está sob o cuidado do grande arquiteto, mas sim, do discipulado pessoal.

 

Quando somos chamados por Cristo, somos chamados à construir uma vida de fé que é o discipulado. Uma das muitas figuras para o discipulado é a de uma construção.

Jesus abordou este assunto em Lucas 14, quando diz que o reino dos céus é semelhante a um homem que se assentou para fazer contas a fim de entender se com os recursos que possuía, conseguiria encarar a obra que estava adiante de si.

 

Também Jesus falou sobre o reino de Deus, como a semelhança de um homem prudente que edificou uma casa sobre a Rocha.

 

Somos chamados a construir uma vida cristã e esta é como um empreendimento.

 

Os inimigos da construção do discipulado existem

Ao ver a obra sendo realizada os homens passaram a propor oposição ferrenha contra os judeus, de acordo com J.I. Parcker as falas de Sambalate são transcritas abaixo:

 

E falou na presença de seus irmãos, e do exército de Samaria, e disse: Que fazem estes fracos judeus? Permitir-se-lhes-á isto? Sacrificarão? Acabá-lo-ão num só dia? Vivificarão dos montões do pó as pedras que foram queimadas?
Neemias 4:2

 

As suas falas são públicas, talvez sejam ditas no entorno do muro para todos ouvirem. Ou mesmo diante de alguns que moravam mais perto dos Samaritanos, o fato é que sua fala se espalhou e causou profunda comoção e  desânimo entre os Judeus.

 

Além da fala debochada de Sambalate, Tobias agora aparece com piadas:

Ainda que edifiquem, contudo, vindo uma raposa, derrubará facilmente o seu muro de pedra.
Neemias 4:3

 

Sempre tive dificuldades em admitir a possibilidade de que existiriam pessoas inimigas da construção da vida Cristã, porém a palavra trata de inúmeros.

 

FP – 3,18 – Inimigos da Cruz

2º Tim – 4.14 – Alexandre o Latoeiro

Himineu e Fileto – 2º Tim. 2.18

 

 

Se o apóstolo Paulo enfrentou todas essas oposições quando lançava fundamentos e construía para Deus, que dirá nós outros. Ainda hoje há inúmeros inimigos da cruz e devemos nos atentar para que eles não impeçam a construção para Deus nem mesmo a restauração para a qual fomos designados.

 

O primeiro cuidado que nós precisamos ter é emocional, essa é a primeira área que o inimigo deseja derrubar.

 

1° Tentação – Chamam de fraqueza o que é força e dizem que seu esforço é vão.
O lhe que pobre grupo de incompetentes eles são! – J.I Parcker

“O que fazem esses fracos judeus?”  V.2

 

A ideia dos opositores era parar os homens emocionalmente, bloquear suas mentes para caírem na realidade da dificuldade e desistirem de sua cidade, de seus propósitos e simplesmente aceitar a decadência com a qual viviam até então.  Passados setenta anos alguém falar sobre reconstrução era de fato um grande desafio, as falas irônicas de Sambalate e Tobias fizeram os homens de Israel se sentirem fracos, com um sentimento de trabalho vão, impotência e muitos outros. O diabo por meio de seus agentes ainda hoje usa a mesma estratégia inicial, ele tenta atacar os homens em suas mentes, no campo de suas ideias, de modo que desnorteia nossos homens.

 

Por ser certo somos chamados de fracos, de tolos, de pessoas engessadas, as tentações se dão para reafirmar nossa própria autoestima que nos diz: “É vão e não vale a pena ser certo”.

Olhando mais abaixo da superfície percebe-se que esse problema também é dos nossos dias. A relativização da família, do casamento, da sexualidade saudável, dos papéis do homem e da mulher tem nos deixado constantemente se perguntando o que de fato devemos fazer, se o padrão cristão não é como se diz “retrógrado”, “ultrapassado”, fidelidade conjugal está fora de moda, o fera para nós é o que tem várias mulheres, o que tem poucas limitações morais.

Os Sambalates e Tobias militam contra a construção de nossos muros familiares, querem nos desanimar da porta estreita, do caminho apertado, da honestidade, são os tentadores e zombadores contínuos querendo nos tomar no pecado “favorito” do diabo: O Orgulho.

O que aos olhos do mundo é nossa fraqueza é a nossa força: A força de manter-se nos seus propósitos de não atender a todos instintos, de simplesmente se subjugar, é necessário de fato ser “homem” para gostar de mulheres e ter forças, porém é necessário ser muito mais do que meramente “homem” para ser esposo de uma só mulher, amando-a, respeitando-a, cuidando dela, mantendo-se fiel.

 

A primeira tendência é a inversão de valores, chamar de fraco, quem toma atitudes fortes, chamar de escravo quem é livre.

 

 

2° Tentação – Chamar de hipócrita – Vocês não vão dar conta
“Permirtir-se-lhes-ás isto?” V.2

“A tarefa certamente está além de sua capacidade.”

 

Assim Sambalate procedeu: Chamou-os de fracos, de insuficientemente competentes para levar a vida no alto padrão que se propuseram a levar, relativizaram sua fé, o que é um fato comum hoje em dia, afinal ter fé não é algo bem-visto entre homens, ainda mais quando se priva do ditado paulino “comamos e bebamos, amanhã morreremos”

O tempo inteiro se acusa os que escolhem o caminho da excelência de serem hipócritas.

Nos nivelam por baixo, querem nos julgar com base em seus padrões mundanos e de moral baixa.

O nivelamento por baixo é o padrão do mundo, afinal todos fazem, logo nós devemos fazer.

Exemplo: Espanha, Mido.

 

 

3° Tentação – Você não vai dar conta – Vencer pelo cansaço

Acabá-lo-ão num só dia?” V.2

“Acabá-lo-ão num só dia?” (Isto é, eles compreendem a enorme tarefa que abraçaram e quanto tempo ela tomará? Não têm a menor noção da realidade!)

A tentação também se deu porque Sambalate questiona o tempo que se dedicariam a causa de Jerusalém, de fato somos tentados na rotina, somos tentados a querer sempre novidades, mudanças, mas a rotina é uma característica marcante de homens de que fato vivem focados e nos propósitos de Deus.
Nós não fomos feitos para viver novidades repetidas, viver de modo hedonista, nossa marca não é o prazer, nossa marca é a perseverança.

Trabalhar muitos dias limpando pedras, reparando portões, cuidando de coisas corriqueiras.

Se você ainda não está pronto para viver uma rotina, você também não pode se considerar homem, pois, ser homem entre outras coisas é viver de casa ao trabalho, do trabalho a igreja e para casa de novo.

Jackson Jacques diz:
Homens precisam de rotina. Deus não nos fez para termos tempo livre. Vença a preguiça e você estará atacando de frente a pornografia. Acorde cedo, faça exercícios, leia, trabalhe. É assim que lutamos a guerra espiritual dos nossos dias. 

 

O anseio por novidades contínuas revela o quão menino ainda se é, de fato há tempo para tudo, mas quando se decide ser homem, a novidade e o ócio não estão como opção para nós.

Todas as distrações tem seu valor, mas elas não podem se tornar uma alegria excedente ao estar em casa, ao amar a família.

Há casas em que as mulheres anseiam por atenção, porém o rapaz não sai do vídeo game, não dão tanto valor a elas do que dão as suas distrações.

Os homens que Deus conta não podem ser tão distraídos.

 

 

 

4º Tentarão nos parar com ataques frontais a fé

Sacrificarão?

Neemias 4:2

 

 

(Imaginam que algum exercício devocional extra fará os muros erguerem-se como por mágica?) J.I Parcker

 

 

“Se uma raposa vier derrubará os muros”

 

 

Neemias Ora

 Neemias ouve as provocações e tentações dos homens a sua volta e opta por orar, ainda que uma oração imprecatória.

“Ouve, ó nosso Deus, que somos tão desprezados, e torna o seu opróbrio sobre a sua cabeça, e dá-os por presa, na terra do cativeiro.

E não cubras a sua iniqüidade, e não se risque de diante de ti o seu pecado, pois que te irritaram na presença dos edificadores”.

Neemias 4:4,5

Neemias mantém o povo trabalhando, consegue driblar as tentações e se manter firme vencendo os apelos psicológicos feitos por seus opositores.

O muro já estava pela metade, já se via a esperança recobrada, era possível sentir que em breve o trabalho terminaria, afinal meio caminho já havia sido trilhado, era manter o ritmo e finalizar a obra, porém mais ataques viriam.

 

A segunda fase da oposição é um ataque mais frontal a sua casa:4.8

 

Uma conspiração entre quatro povos de todos os lados desejavam se unir contra Israel, a ideia era de atacar, não para matar, mas para desestabilizar e encerrar a obra, pois uma preocupação apenas na guerra seria fatal para os homens de Judá, eles deixariam de cuidar dos muros para guerrear, alguns morreriam e seriam acusados de rebelião.

Manter o equilíbrio era uma missão praticamente impossível, se eles apenas trabalhassem, muitos morreriam na invasão dos inimigos, se apenas guerreassem os muros ficariam vulneráveis e invadiriam para matar suas mulheres e crianças.

 

A ideia inicial era de deixar uma guarda pronta para a defesa, porém os homens da guarda e os homens da obra se cansaram:

Então disse Judá: Já desfaleceram as forças dos carregadores, e o pó é muito, e nós não poderemos edificar o muro”.

Neemias 4:10

 

Considerando o cansaço, os inimigos tramam um ataque surpresa, sua ideia era tomar os homens no momento mais extremo e ataca-los de modo que não sobreviveriam, a integridade física de seus familiares e amigos estava em jogo, para piorar, os judeus que moravam próximo aos samaritanos disseram por dez vezes que eles iriam matar os Judeus.

 

Foram dez viagens com a mesma notícia, a fala era: De todos os lugares eles virão V.12

 

Neemias passa a armar os homens, dar espadas em suas mãos.

Alguns em locais baixos nos muros, outros em altos e todos os homens das 41 equipes tinham armas para defender suas famílias.

 

 

Precisamos batalhar  pela nossa fé

 

E olhei, e levantei-me, e disse aos nobres, aos magistrados, e ao restante do povo: Não os temais; lembrai-vos do grande e terrível Senhor, e pelejai pelos vossos irmãos, vossos filhos, vossas mulheres e vossas casas.

Neemias 4:14

A convocação de Neemias era para que todos agissem como guardiãos, era necessário coragem, lembrar-se de Deus e batalhar, pelos irmãos, pelos parentes, pelas mulheres, pelas casas, de agora em diante seria exigido que todos fossem de fato homens.

 

A fórmula  de Neemias para salvar as famílias pode ser tomada por nós hoje

 

1º - Não tenham medo – 4.14 a

2º - Lembrem-se do Senhor – 4.14 b

3º - Esteja disposto a lutar – 4.14 c

4º - Deus nos dará uma pá para o trabalho (Serviço ministerial) 4.17

5º - Deus nos dará espadas para a batalha 4.18

6º - Deus preparará amigos para quando precisarmos 19-20

7º - Deus fortalecerá nossas mãos – 6.9

 

A única chance da obra dar certo é Deus!

Qual a chance de um muro derrubado a 140 anos ser levantado novamente?

Qual a chance de resistir a oposição dos opressores?

Qual a chance de resistir a união de 4 nações contra a sua cansada e fragilizada.

Qual a chance de um rei voltar atrás?

Qual a chance de um rei ceder tudo para seu povo voltar?

Qual a chance de resistir a tantos obstáculos?

Deus estava em todo o processo.

 

A mão de Deus foi favorável a Neemias - Neemias 2.18

Ele lembrou-se do Senhor que é grande e terrível - Neemias 4.13

Ele pediu que o Senhor fortalecesse suas mãos - Neemias 6.9

Todos reconheceram que Deus fez aquela obra -

¹⁵ Acabou-se, pois, o muro aos vinte e cinco do mês de Elul; em cinquenta e dois dias.

¹⁶ E sucedeu que, ouvindo-o todos os nossos inimigos, todos os povos que havia em redor de nós temeram, e abateram-se muito a seus próprios olhos; porque reconheceram que o nosso Deus fizera esta obra.

Neemias 6:15,16

 

A obra de Deus começa difícil, se torna impossível, depois ela é feita.

Hudson Taylor

  

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