sábado, 14 de fevereiro de 2026

A vida de João Marcos - Você ainda é útil

 “Toma Marcos, e traze-o contigo, porque me é muito útil para o ministério.

2º Timóteo 4:11”

 

Um sentimento presente ao ler e pensar sobre grandes heróis da fé, é a distância que há entre nós e eles.

Deus tem em sua galeria de heróis pessoas corajosas, firmes, de falas profundamente carregadas de heroísmo. A vida deles se constitui um memorial e um exemplo para nós, de modo que somos chamados a compor esse grande time de pessoas que fizeram grandes coisas para Deus.

Ao ver os exemplos de devoção e entrega, naturalmente nos comparamos a eles e vemos que com as falhas que possuímos, nossa falta de entrega e devoção, dificilmente seríamos um dos tais heróis da fé.

Movidos deste sentimento, muitas vezes desprezados e depreciamos a nossa própria caminhada de fé, pensamos que apenas as pessoas ilibadas e sem erros podem ser usadas por Deus, apenas os que nunca se acovardaram, apenas os que sempre mantiveram suas vidas de forma íntegra, é que serão usados por Deus.

Costumamos pensar que a vida dos heróis é uma vida sem crises, sem erros, irrepreensível e de fato, há heróis de Deus que tem relatos totalmente íntegros, como Jeremias, Daniel e outros.

Olhando para a vida destes e vendo seus começos, pensamos que é impossível que alguém que não tenha um bom começo, termine bem. Inclusive isso tornou-se uma frase recorrente entre nós “o que começa errado, termina errado”.

A história que vamos aprender neste sermão é de alguém que não começou bem, pelo contrário, se acovardou, desistiu no meio do caminho, tornou-se então marcado em parte da sua história como um covarde.

A história de Deus é cheia de pessoas assim, que não tiveram os melhores começos, nem tampouco uma história sem percalços ou obstáculos, mas que não obstante tudo isso, abraçaram as oportunidades de recomeçar, de serem restaurados.

O homem do qual vamos falar é João Marcos, um homem que começou mal, mas terminou bem.

 

 

 

 

 

O homem – João Marcos

João nome judeu

Marcos nome Romano

 

João Marcos tem sua primeira aparição nominal em Atos 12, por conta que a reunião de oração que resultou na libertação de Pedro, se deu na casa de sua mãe.

Marcos era um homem frágil, tanto que as suas palavras escritas tem alguns pilares que falam de sua personalidade enquanto homem, vejamos:

1 – Ele fez o maior relato sobre os últimos momentos de Jesus – Duas vezes mais que os demais evangelistas.

2 – Ele foi quem mais falou sobre os discípulos e seus medos –

· O Medo da tempestade e da reação de Jesus – Marcos 4.40-41

· Os discípulos temem por Jesus dizer que ia morrer e ainda assim ir a Jerusalém – Marcos 10.32-34

 

3 – Ele mostrou como Jesus confiava nos discípulos apesar de suas falhas

 

4 – Ele foi quem melhor se identificou com Pedro, por conta de suas falhas.

 

Um discípulo que segue Jesus com medo

Há fortes indícios de que Marcos seja o discípulo que seguiu Jesus envolto num lençol de linho e após a pressão por parte dos soldados, ele deixou o lençol e fugiu nu.

“E um certo jovem o seguia, envolto em um lençol sobre o corpo nu. E lançaram-lhe a mão.

Mas ele, largando o lençol, fugiu nu”.

Marcos 14:51-52”

Talvez Marcos estava em casa, pronto para dormir, quando soube que Jesus não dormiria lá, sendo assim, da forma que estava, ele foi segui-lo.

Quando ele vê que Jesus sendo cercado por soldados, o seu temor é tanto que ele foge, largando o lençol para trás.

Esse relato não consta nos demais evangelhos, o que dá a entender também que Marcos estava falando de si mesmo.

 

Marcos tinha uma forte identificação com discípulos que não conseguiam exercer o discipulado em toda sua totalidade.

Ele se identificava com pessoas que possuíam falhas, pois, assim ele se via em cada uma delas.

 

As aparições dele na bíblia

Os próximos relatos a respeito de Marcos já encontram-se após a ressurreição de Jesus, quando Pedro vai a sua casa após ser livre da prisão. Ele que é um cooperador, vai com Barnabé a Antioquia, onde organiza uma coleta aos crentes necessitados da Judéia.

Em Antioquia a igreja separa a Paulo e a Barnabé para a obra missionária, eles devem a partir daí seguirem em uma aventura, desbravando lugares que para eles são desconhecidos e correndo riscos diversos.

 

· Paulo e Barnabé são vocacionados, mas Marcos vai como auxiliar – Atos 13.5

 

Eles percorrem 4 cidades, são 20 dias de viagem até aqui, há riscos diversos, de ladrões, de salteadores, de pessoas inimigas da fé, como foi o caso de Elimas.

Eles se dispunham a ir sob as condições que Jesus descreveu em Lucas 10:

“E dizia-lhes: Grande é, em verdade, a seara, mas os obreiros são poucos; rogai, pois, ao Senhor da seara que envie obreiros para a sua seara.

Ide; eis que vos mando como cordeiros ao meio de lobos.

Não leveis bolsa, nem alforje, nem alparcas; e a ninguém saudeis pelo caminho.

E, em qualquer casa onde entrardes, dizei primeiro: Paz seja nesta casa.

E, se ali houver algum filho de paz, repousará sobre ele a vossa paz; e, se não, voltará para vós.

E ficai na mesma casa, comendo e bebendo do que eles tiverem, pois digno é o obreiro de seu salário. Não andeis de casa em casa.

E, em qualquer cidade em que entrardes, e vos receberem, comei do que vos for oferecido. E curai os enfermos que nela houver, e dizei-lhes: É chegado a vós o reino de Deus.

Mas em qualquer cidade, em que entrardes e vos não receberem, saindo por suas ruas, dizei:

Até o pó, que da vossa cidade se nos pegou, sacudimos sobre vós. Sabei, contudo, isto, que já o reino de Deus é chegado a vós.

Lucas 10:2-11”

 

A viagem era sujeita a alterações, a riscos de morte, riscos de doença, riscos de prisão, as vezes riscos de causmas naturais, outros de acidentes em seus trajetos.

Eles estão a 20 dias caminhando, até agora, só 1 alma se converteu.

A essa altura, na Panfília, Marcos está espantado com o peso da dificuldade.

 

Vendo a dificuldade Marcos toma uma decisão:

E, partindo de Pafos, Paulo e os que estavam com ele chegaram a Perge, da Panfília. Mas João, apartando-se deles, voltou para Jerusalém.

Atos 13:13

 

Há 4 razões possíveis para isso:

 

1º - Ele era muito jovem e ao ver as dificuldades que os discípulos passaram decidiu voltar para trás, para cuidar de sua própria vida.

2º - Ao ver que o líder passava a ser Paulo, ele desiste de caminhar, por saber que Paulo era mais exigente.

3º - Ele era judeu, ver gentios se converter talvez poderia espantá-lo.

4º - Mais possível – Paulo adquiriu uma enfermidade, essa foi a razão de ele pela primeira vez ter pregado na Galácia.

Paulo chamava essa enfermidade de espinho na carne em 2º Cor.12.9

Paulo adquiriu uma enfermidade da região de Perge, Hernandes Dias Lopes diz que essa enfermidade lhe causava enormes dores de cabeça, problemas de visão, além de ele próprio dizer posteriormente que sabe que se os Gálatas pudessem, lhe dariam seus olhos para que ele enxergasse bem.

Aliado a isso, incluímos o fato de que eram 20 dias de viagem sem êxito, sem progresso.

No local onde estavam, corriam risco do frio, má alimentação, animais selvagens, doenças, cansaço, fome.

Paulo decide ir pelas colinas, para a próxima cidade que é a Psídia, Marcos vendo a doença de Paulo e correndo risco na mão de salteadores, decide não ir adiante.

Neste momento ele volta para trás, talvez sob forte discussão com Paulo.

 

O impasse entre Paulo e Barnabé

 

A primeira viagem missionária é concluída, Paulo deseja voltar e revisitar as cidades onde eles já haviam passado, é nesse momento que um grande impasse se inicia:


“Barnabé aconselhava que tomassem consigo a João, chamado Marcos.

Mas a Paulo parecia razoável que não tomassem consigo aquele que desde a Panfília se tinha apartado deles e não os acompanhou naquela obra.

E tal contenda houve entre eles, que se apartaram um do outro. Barnabé, levando consigo a Marcos, navegou para Chipre.

Atos 15:37-39”

 

Barnabé ao ver que reiniciariam a viagem, deseja levar Marcos, mas Paulo não quer ceder, não deseja levar consigo um covarde, alguém que foge.
As dificuldades devem ter sido maiores dada a ausência de Marcos, Paulo não queria correr o risco de ficar desfalcado de novo, por isso rejeita totalmente a ideia.

Neste momento Barnabé se aparta dele e leva seu primo consigo, ficando Marcos Marcado até aqui por duas desistências.

 

A história poderia se encerrar aqui, para muitos de nós, seria o fim para João Marcos, mas Deus é especialista em usar pessoas quebradas.

 

Engana-se quem pensa que o caminho com Deus é apenas um marchar constante, as vezes a caminhada cristã assemelha-se mais a um manquejar vitorioso.

 

 

 

Quais as lições que a Vida de Marcos nos ensina?

 

1º - Precisamos aprender a lidar com os erros

Demas que era companheiro de Paulo, assim como Marcos, começou sua caminhada como um cooperador:

Filemon – 24

Depois ele não tem mais qualificações específicas – CL. 4;14

Por fim, ele ama o presente século e vai para Tessalônica.

 

Cuidado com o cinismo – você pode mudar

 

2º - Talvez a sua história não começou bem, mas nada impede de terminar de outra forma:

· A vida de Demas é ladeira abaixo, mas a de Marcos é ascendente – Pv.4.18

· Assim como Issacar – Jumento, Guerreiro, cientista, conquistadores de riquezas.

· Jabez era filho de uma prostituta, mas terminou guerreiro e juiz.

 

“Minha maior preocupação não é que você tenha fracassado, é que você esteja satisfeito com seu fracasso” (Abraham Lincoln)”

“Ainda que caia, não ficará prostrado, pois o Senhor o sustém com a sua mão.

Salmos 37:24”

 

  - Nenhum elemento da sua história é vazio de significado.

Há muitas coisas que fazemos que nos entristecem no decorrer da vida, por fazer a nossa história ser marcada de diversas formas.

Mas todas essas coisas, mesmo as ruins, estão cooperando positivamente para nós.

Tudo coopera para o bem daqueles que amam a Deus – RM 8.28

Genesis 51.20 – Deus transformou o mal em bem

 

 

 

4º - As retomadas na vida se dão com pequenos começos

 

Quem despreza o dia das pequenas coisas? Zacarias 4.10

 

A retomada na vida não se dá com grandes passos que reverterão os erros em poucos dias, as vezes é necessário ajustar coisas e neste sentido velocidade é menos importante do que direção.

Estar no caminho certo é as vezes dar pequenos passos na direção certa, por mais custoso que seja.

 

5º - As vezes tudo que as pessoas precisam é alguém que acredite nelas

Barnabé toma partido e vai para outro lado, acreditando que Marcos não é apenas um desertor.

Barnabé escolhe acreditar em seu sobrinho contra todas as probabilidades e este papel dele é preponderante na vida de Paulo e de Marcos.

Nós precisamos ser esse agente de restauração.

“A obra de Deus é feita de gente falha como Paulo, mas que ao modelo de Paulo se deixa persuadir pela ação do espírito Santo através do tempo, algum Paulo te machucou por ai? Perdoe, dê tempo ao tempo. Algum Marcos já te tirou do sério? Espere e vê bem se não termina sendo no fim das contas útil para você na jornada cristã” – Amado Timóteo Marco Telles

 

6º - Você não deve tomar conclusões sobre sua vida baseado no que pensa, no que os outros pensam, apenas no plano de Deus para você.

Se João Marcos parasse ali, ele teria sido marcado na história apenas assim.

É então que Marcos dá alguns passos na sua caminhada Cristã:

· Na sua próxima aparição ele torna-se cooperador de Paulo FM. 1.24

· Por fim, Paulo reconhece seu valor e no fim da vida pede que Timóteo o traga – 2º Tim 4.11

7º - Não é tarde para recomeçar.


Marcos recomeçou em tempo, tornou-se cooperador, útil para Paulo, filho de Pedro e escreveu o evangelho que hoje conhecemos, tornando-se base para todos os demais. A soma de suas fraquezas, temores, captou sentimentos dos discípulos, captou temores deles, tornando possível entender que na galeria de heróis de Deus há gente ferida, gente cansada, gente quebrada.

terça-feira, 17 de dezembro de 2024

O pastor e as ovelhas - Salmo 23

 ¹ O Senhor é o meu pastor; nada me faltará.


² Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente a águas tranquilas.

³ Refrigera a minha alma; guia-me pelas veredas da justiça por amor do seu


nome.


⁴ Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal

algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam.

⁵ Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos, unges a


minha cabeça com óleo, o meu cálice transborda.


⁶ Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da

minha vida; e habitarei na Casa do Senhor por longos dias.


Salmos 23:1-6


Conta-se que um certo orador esteve em uma cidade, ele recitava como

ninguém qualquer texto e sua capacidade de oratória era tal que as pessoas o

ouviam por horas sem hesitar, sem cochilar, recitando letras de músicas, textos


famosos, inclusive textos bíblicos.


No último dia de suas apresentações, aquele determinado orador soube que

um velho pastor de igreja da cidade estaria lá, mandou reservar um lugar para

ele, no meio de sua apresentação ele propôs ao povo um desafio, de ele

primeiro citar o Salmo 23 na sua voz, a multidão empolgada lhe ouviu.

O pastor falaria em seguida, sob toda a pressão e sem o glamour do orador.

Terminada a fala do orador todos estavam extasiados, o pastor sob toda a


pressão então toma a palavra.


O pastor trêmulo fecha os olhos e cita o salmo, da forma que sabia, sem

pausas dramáticas, mas com a força de quem conhece o sumo pastor e tendo

terminado, todos estão chorando, impactados. Ao que o orador toma a palavra


e diz:


“A diferença fundamental entre mim e esse pastor, é que conheço o Salmo do

pastor decor e salteado, mas ele conhece o pastor do Salmo”.


O salmo 23 é um texto que decoramos, que recitamos, que fez parte das

chamadas de EBD, o Salmo que mesmo os não crentes conhecem, que virou


quadro nas casas, que virou texto de pano de prato.


Ao gastarmos muito uma determinada palavra temos a tendência de esvaziar

seu significado, dando a ele pouca ênfase ou estando muito aquém do que


essa palavra de fato quer dizer.


Ao decorarmos o salmo, a tendência natural é que deixemos de nos apropriar

do que ele quer de fato dizer e não consideremos mais essa palavra em


primeira pessoa, como foi para Davi.


Hoje meu desafio é que com toda a simplicidade que este Salmo tem,

possamos nos apropriar não mais do texto decorado, mas do Senhor do

Salmo, não mais da palavra declarada, mas do pastor verdadeiro.

Decorar o texto tem seu valor, mas se apropriar dele tem muito mais valor.

Durante trinta anos de caminhada, nenhuma vez esse texto fez tanto sentido

para mim, como no último mês em que sozinho no carro ouvindo um louvor

sobre o bom pastor, fui tocado e me apropriei dessa palavra.

Vamos meditar, frase por frase deste Salmo e nos apropriar das verdades nele


contidas.


1. O Senhor é meu pastor


As afirmações sobre quem Deus é, dificilmente vem da fala dele próprio, ainda


que algumas vezes ele tenha se apresentado dessa forma.

Na bíblia Deus tem pelo menos 72 nomes, os nomes de Deus estavam

associados a experiências pessoais das pessoas com ele próprio, de modo que

a cada manifestação de Deus, os seus servos tinham uma nova percepção a


respeito de quem ele é.


Davi era pastor de ovelhas, Davi exercia este ofício e sabia a complexidade

dessa relação, Davi sabia o caráter da ovelha e do pastor.


É a luz de suas experiências pessoais como pastor que ele faz essa afirmação


atribuindo mais um nome a Deus.

O termo é “Adonai El Roi”.


O cultivo de ovelhas é um dos ofícios mais interessantes da agricultura, isso


em virtude das características das ovelhas.


O pastor Allan Brizotti diz que pesquisou um ano a respeito das ovelhas, uma

primeira distinção muito importante é que existem pastores de ovelhas de corte


de carnes e pastores de cultivo e apascentamento.


Os cultivadores de ovelhas para consumo não se importam com quase nada,

mas no caso dos pastores que apascentam para corte de lã e delas cuidam, a


relação é extremamente profunda.


É muito interessante a colocação de Davi a respeito deste assunto, ao se

comparar a ovelhas, porque elas têm algumas características peculiares:

 Elas são presas fáceis dos predadores

 Ovelhas não são atenciosas

 Ovelhas não sabem discernir perigos


 Ovelhas são teimosas

 Ela confia em extremo no seu pastor

 Ovelha não tem senso de direção

 Ovelha não tem faro

 Ovelha se suja facilmente


No cultivo de ovelhas o mais importante é ter um bom pastor, a relação da

ovelha com o pastor é essencial para sua subsistência.

muitas coisas me saltam aos olhos olhando para este texto:


“O Senhor é meu” – Esse pronome possessivo parece uma presunção, alguém

poderia argumentar, como posso eu dizer que o Senhor é meu? Se a fala fosse

isolada poderia denotar isso, mas ao adicionar “meu pastor”, Davi não está

fazendo uso de uma figura que remete a nenhuma qualidade.

Ele diz: Eu sou frágil, eu não sei enxergar os perigos, eu não sei caminhar

sozinho, eu sou teimoso, eu não sei sequer me alimentar só, mas eu tenho um

pastor.

A figura aqui é de dependência: “Eu tenho um pastor, por isso vivo”.

Para Davi, Deus não é pastor do mundo em geral, ele era seu pastor no âmbito

pessoal.

Se ele não for pastor para mais ninguém, ele é para mim.

 Citar Batismo na Bola de Neve.

Para uns ele é só Senhor, para uns ele é um tirano, para uns ele é apenas um

curandeiro, mas para mim, ele é pastor.

À luz de seu relacionamento com as ovelhas, Davi se posiciona tal qual uma

delas e apropria para si cada uma das características delas.


A realidade que Davi aborda é sempre presente: Ele é (presente contínuo)


2. Nada me faltará

Existem algumas possibilidades para esse texto, os Hebraístas dizem que o

termo “El Rói” é “amigo íntimo” e a conotação é: “Ele não deixará de estar

comigo”.

Existe a interpretação que diz que sendo ele pastor, nada faltará, inclusive

coisas ruins e difíceis, dando grande ênfase ao nada.

Existe ainda a sensação de completude, que melhor define o texto: O Senhor é

meu pastor, tendo meu pastor eu não preciso de mais nada.


À luz da relação das ovelhas com o pastor, essa terceira afirmação é a mais

assertiva.

Porque tenho o pastor eu estou contente, porque tenho o pastor estou

satisfeito, porque tenho o pastor eu tenho o que eu preciso de verdade.

O nosso conceito do que precisamos e do que queremos é muito distorcido, o

sumo pastor sabe o que eu preciso de verdade.

“Pedi calor, Deus me deu verão

Pedi voz, Deus me deu canção

Pedi resposta, Deus me deu solução

Pedi que olhasse, Deus me deu a mão

Pedi amigos, Deus me deu irmãos


Porque ele tem mais do que eu consigo pedir

E sempre sabe o que é melhor para mim

Não dá o que eu quero, nem o que mereço

Mas o que preciso para ser feliz

Me ensina a te agradecer”


 É a luz do caráter do pastor que Davi diz: Nada me faltará.

 Não terei falta das coisas temporais, pois, se ele alimenta as aves, não

alimentará a nós que somos filhos?

 Não terei falta de coisas espirituais: A sua graça me basta – 2º Cor. 12.9

 Eu posso não ter o que quero, mas nada me faltará.

“Os filhos dos leões necessitam e sofrem fome, mas àqueles que buscam


ao Senhor bem nenhum faltará”.


Salmos 34:10


Não me falta no presente e não faltará no futuro – Venha o que vier, quer a

fome devaste a terra, ou a calamidade destrua a cidade, nada me faltará.

“O coração do pecador está longe de estar satisfeito, mas o espírito gracioso

habita no palácio do contentamento”.


3. Deitar-me faz em verdes pastos


Para uma ovelha deitar-se, duas necessidades precisam estar plenamente

supridas:


 Comida e bebida

 Presença do pastor


A ovelha jamais se deita sem estar alimentada, mas também jamais se deita

sem ver o pastor, ela não pode ser forçada a isso.

A ovelha além do mais tem a visão extremamente limitada, ela enxerga até 10

metros de distância, então a chance de não ver o pastor e assim não deitar é

muito grande.

Para a ovelha se deitar ela precisa comer, beber e ver o pastor, só com todas

essas necessidades atendidas ela se deita.

A ovelha naturalmente não sabe se autossustentar, logo ela precisa do pastor

para alimentar, para lhe dar água e para encontrar descanso.

Alguns de nós não estão descansando como deveriam, nem se alimentando

como deveriam, talvez em busca de ver o pastor, mas lhes digo de forma

aberta, nosso pastor não é como os pastores terrenos, eu posso lhe esquecer,

eu posso deixar de lhe dar a atenção que você pensa ser necessária, mas o

sumo pastor jamais te perde de vista.

Se você não o está enxergando, talvez seja uma questão de sua visão, mas

hoje meu pedido é que você abra os olhos e veja: O pastor está por perto, o

pastor está te trazendo alimento e bebida, você pode descansar, pode

repousar, o pastor não está longe.

As ovelhas, segundo a revista o berro, quando doentes ficam discretas, mal se

apresentam, mal se movem, em alguma medida ovelhas sequer querem

incomodar o pastor, quem o faz são os bodes.

Talvez você esteja aqui como uma ovelha ferida, mas o pastor te viu e está

atando as feridas, está cuidando de tudo e você poderá em breve deitar-se em

verdes pastos novamente.


4. Guia-me mansamente as águas tranquilas


O guiar mansamente diz respeito a uma das limitações das ovelhas, elas não

correm, elas não são velozes e todos os seus predadores o são.

O pastor não as faz correr, o pastor não as faz ir além de seus limites, as

ovelhas caminham tranquilas, pois, o pastor sabe as limitações delas.

Nosso pastor nos garante proteção, ele não vai te apertar além da

necessidade.

 “Como é seu dia, assim será suas forças” – Dt. 33.25


 O pastor sabe seus limites, sua estrutura – Salmo 103


A segunda parte deste verso me chama a atenção, ovelhas tem os ouvidos

muito sensíveis e não bebem águas correntes, de modo que existem casos de

ovelhas morrerem de sede ao lado das águas, se o pastor não conduzir as

ovelhas as águas tranquilas, elas morrem de sede, mas o cuidado do pastor é

tal que ele nos guia mansamente a águas tranquilas.


A figura das torrentes do Neguebe – O pastor geralmente dá de beber das

águas pós tempestade.

Quando a tempestade vem, as ovelhas ficam suscetíveis a tormentos por ouvir

demais, mas a mesma tempestade faz a ovelha ser saciada em sua sede.


5. Refrigera a minha alma - Paz

A ideia diz respeito a psiquê, as vezes nossa mente está um turbilhão,

quente, a ponto de explodir, os problemas se acumulam:

 Finanças

 Compromissos

 Demandas

 Doenças

 Filhos

 Família

 Coisas que faltam

 Ansiedade

O pastor sabe como nossa mente ferve, mas ele tem refrigério para a nossa

mente.

 Figura da janela quando se abre – O vento de Deus soprando para

acalmar.

6. Guia-me pelas veredas da justiça por amor do seu nome.

Ele me guia por caminhos de justiça, neste mundo perdido, não se encontram

avenidas seguras, neste mundo não encontramos referencias, lugares para

caminhar, mas ele me leva nos caminhos da justiça com amor.

O pastor me conduz porque ele me ama, em cada porta fechada, em cada

coisa que deu errado, o pastor está me conduzindo no caminho da justiça.


7. Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria

mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me

consolam.


O vale da sombra da morte é um lugar necessário para passar para se

alcançar as montanhas onde havia alimento.

Nos vales habitavam todos os predadores possíveis, lobos, escorpiões, hienas,

nos vales poderiam se machucar.

O pastor sabe passar pelo vale conosco. O pastor passa pelo vale, ele não nos

deixa no vale.

O pastor já passou pelo vale mais vezes e sabe para onde está nos levando,

nas veredas da justiça vales de sombra e morte virão.

Veja também que o vale não é de morte, são apenas sombras. Você pode

passar por todos os medos possíveis durante o tempo de vale, mas o pastor

está te levando, te conduzindo.

Por saber quem é o pastor, a morte pode fazer sombras, mas ele me guarda.


O vale da sombra de morte era um lugar geográfico segundo Rodrigo Silva, ao

lado de uma pirambeira e cheio de predadores, por serem muito sensíveis ao

som, as ovelhas poderiam se assustar com os predadores e caírem ou serem

atacadas, o pastor tinha então um método de adestramento:


 Ele cantava e tocava e as ovelhas formavam uma fila, ouvindo a voz do

pastor elas seguiam.

 As minhas ovelhas conhecem a minha voz, e eu conheço-as, e elas

seguem-me.  28  Dou-lhes a vida eterna e jamais perecerão. Ninguém as

arrancará de mim, porque meu Pai é quem mas deu.  29  E sendo ele mais

poderoso do que ninguém, ninguém as pode roubar. João 10.27-29


Quando uma ovelha se perdia, o pastor usava seu cajado para trazê-la de

volta.

O cajado tinha três funções:


 Vara – Correção (Quando a ovelha se perdia)

 Cajado – Para resgatá-la de um buraco

 Arma – Contra os predadores

Quando uma ovelha se perdia o pastor lhe batia e em seguida a carregava por

alguns dias.


8. Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos


Salmos 23:5


A mesa não é preparada para mim, mas perante mim.

A mesa não é para eu ser honrado, mas é Deus cuidando sem que eu veja.

A mesa estava no centro da casa e era o lugar da provisão de Deus, todos

poderiam ir até a mesa, mas quando o meu Deus estende a toalha sobre a

mesa e põe o pão, os meus inimigos veem que eu tenho um Deus!

Ele é pastor sobre mim e sobre minha mesa.


9. Unges a minha cabeça com óleo, o meu cálice transborda. -

Salmos 23:5


Quando no deserto, as ovelhas poderiam facilmente ser infectadas por moscas

que entravam pelo seu ouvido.

As ovelhas batiam a cabeça na rocha até morrer para tirar o mosquito, ou

quando não percebiam a entrada do mosquito elas deixavam de comer dada a

infecção.

O óleo sobre a cabeça era colocado na cabeça de cada ovelha, o pastor

formava uma espuma e elas poderiam fazer a viagem tranquilas com uma

espécie de espuma impermeável.

O pastor guarda minha mente e meus ouvidos.

 O meu cálice transborda – Completude e provisão


10. ⁶ Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os

dias da minha vida; e habitarei na Casa do Senhor por longos dias.

Salmos 23:6

O pastor andava com um copastor, este o supria em sua ausência.


O meu pastor é Cristo; João 10.

Aprendendo a estar contente - Sermão entregue à igreja 3.16

 

“Ora, muito me regozijei no Senhor por finalmente reviver a vossa lembrança de mim; pois já vos tínheis lembrado, mas não tínheis tido oportunidade.

Não digo isto como por necessidade, porque já aprendi a contentar-me com o que tenho.

Sei estar abatido, e sei também ter abundância; em toda a maneira, e em todas as coisas estou instruído, tanto a ter fartura, como a ter fome; tanto a ter abundância, como a padecer necessidade.

Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece”.

Filipenses 4.10-13

 

O segredo de estar contente

Existem aprendizados que são muito úteis, conhecimentos que abrem portas, concedem melhores colocações profissionais, outros salvam vidas, outros ajudam a viver um pouco melhor. Existem cursos sobre gestão financeira, gestão do tempo, “inteligência emocional”, todos tem seu valor, a depender da instituição, carga horária, certificações concedidas, etc.

Paulo escrevendo aos Filipenses diz que aprendeu algo, um tipo de segredo, esse segredo de acordo com a escritura é uma fonte de riqueza. Mais que investimentos, mais que bitcoins, mais que profissões, Paulo aprendeu o que é chamado em suas palavras de “grande fonte de lucro”.

Paulo aprendeu o segredo de estar contente em toda e qualquer situação.

“Paulo aprendeu que é uma grande fonte de lucro a piedade com o contentamento” – 1º Tim. 6.6

·        Quem aprende a estar contente enriquece, mas não enriquece por ganhar mais, enriquece por valorizar o que já possui.

·        Não se torna rico como quem tem mais coisas, mas como quem aprendeu que já tem o que precisa.

Paulo chegou a um nível de satisfação tal, que a vida para ele era dádiva:

“Porque nada trouxemos para este mundo, e manifesto é que nada podemos levar dele.

Tendo, porém, sustento, e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes”.

1º Tim. 6.7-8

Consciente de que ele não trouxe nada e nada levaria para a eternidade, tudo o mais é dádiva. Ao olhar assim, tendo o suficiente para se cobrir e o que comer, devemos estar contentes.

Esse aprendizado do contentamento também foi compreendido por Salomão no fim de sua vida.

 

A insatisfação crônica dos homens

Salomão aprendeu que não há nada melhor para o homem do que comer, beber e se alegrar consciente de que tudo isso vem da mão de Deus.

Antes disso experimentou de tudo, o capítulo 2 de Eclesiastes resume essa busca.

·        No riso V.2 (Entretenimento)

·        Bebida V.3 (Felicidade no fundo de uma garrafa)

·        Grandes edificações e realizações – V. 4 a 6

·        Empregou muita gente – V.7

·        Dinheiro e música de qualidade – V.8-9

 

“Consegui tudo o que desejei. Não neguei a mim mesmo nenhum tipo de prazer. Eu me sentia feliz com o meu trabalho, e essa era a minha recompensa.11 Mas, quando pensei em todas as coisas que havia feito e no trabalho que tinha tido para conseguir fazê-las, compreendi que tudo aquilo era ilusão, não tinha nenhum proveito. Era como se eu estivesse correndo atrás do vento” - 10-11

 

Em qualquer situação em qualquer casa, as pessoas estão inquietas, insatisfeitas, desgastadas.

Uma das coisas mais difíceis de achar nos nossos dias é alguém satisfeito, a grande maioria das pessoas está insatisfeita com a vida que tem, a esposa, o marido, o carro a casa, o corpo, o cabelo, a estatura, o trabalho, a saúde, o bairro que mora, a cor da pele, a igreja que congrega, a cozinha, a geladeira, os filhos, a escola.

Uma geração extremamente ambiciosa, sempre buscando algo mais alto do que o que já possui, quando não se alcança o que se quer, se torna insatisfeito.

A cada dia novas coisas surgem, gerando o desejo de se estar atualizado.

Isso infelizmente afetou a igreja, os crentes, boa parte de nós tornamo-nos pessoas incontentes. Os rostos dos Cristãos ao nosso redor são prostrados, abatidos, a razão primária é o fato de não conseguir o que se quer.

Fomos condicionados com a lei da linearidade, em que se faço o que deve ser feito serei abençoado, terei mais dinheiro, melhor posição social e profissional, meus filhos não farão besteiras, minha família será um exemplo.


A teologia da prosperidade, a confissão positiva, o pensamento triunfalista afetou diretamente a forma como enxergamos a fé e isso geral uma geração de crentes descontentes.

Fomos tomados pela comparação, pelo sentimento de desatualização, por uma profunda sensação de incompletude, isso constantemente nos leva a alguns pecados como a murmuração, a ambição desenfreada e a cometer pecados diretamente ligados a essa insatisfação.

 

 

 

 

 

Vejamos alguns malefícios da insatisfação crônica:

 

1.   Ela é a raiz de vários pecados

·        Foi a insatisfação que fez Eva ser tentada pela serpente

·        Foi a insatisfação que fez o Pródigo sair da casa do pai

·        A insatisfação leva a traição, leva ao roubo, leva a consumo de drogas e vícios, leva a corrupção.

 

2.   Ela é a raiz da ingratidão

·        Insatisfeito até o jardim parece pouco

·        Insatisfeito eu não ligo para o pai

·        Insatisfeito eu me considero escravo quando sou filho

 

3.   Ela é um caminho escorregadio para a fé (Asafe)

4.   Ela é um passo anterior à murmuração e essa é rechaçada por Deus.

 

“As ervas daninhas crescem rapidamente; a cobiça, o descontentamento e a murmuração são tão naturais para o homem quanto os espinhos são para o solo. Você não precisa semear cardos e arbustos, eles surgem naturalmente, porque são nativos da terra, sobre a qual repousa a maldição. Levando isso em consideração, você não precisa ensinar os homens a reclamar, eles

reclamam rápido o suficiente sem nenhuma educação. Mas as coisas preciosas da terra devem ser cultivadas. Se quisermos trigo, devemos arar e semear, se quisermos ter flores belas, deve haver o jardim e todo o cuidado do jardineiro.

Ora, o contentamento é uma das flores do céu e, se quisermos tê-lo, devemos cultivá-lo”. – Spurgeon

 

Apesar de tudo isso que é inerente da nossa natureza, Paulo aprendeu o segredo de estar contente!

 

 

Sob que circunstâncias Paulo estava?

 

A ocasião da carta – Atos 26-28

·        Paulo havia suportado a prisão por pregar o evangelho em Jerusalém e tendo passado por vários juízes apelou a Roma.

·        No trajeto seu barco afunda.

·        Numa ilha ele é picado por uma cobra.

·        Em Roma é preso de forma “preventiva” por dois anos aguardando sentença definitiva.

·        Preso a dois soldados

·        Paulo não tinha uma casa, sua casa era alugada

·        Paulo no fim da vida está preso, dependendo de amigos e igrejas para ser sustentado

·        Paulo já não poderia mais trabalhar

·        A igreja de Filipos envia um obreiro para socorrer Paulo e é em resposta a essa atitude que essa carta nasceu.

 

Eu já recebi cartas de presos, já li livros a respeito disso, em geral eles refletem o valor da liberdade, falam do desejo de estar lá fora, o que é por si algo legítimo, mas Paulo escrevendo uma carta da prisão só fala das alegrias de servir a Deus.

Aparentemente Paulo é quem estava livre e incentivando os outros.

É este homem, preso a dois soldados, que ganha a guarda pretoriana para Cristo, ao ponto de declarar que os irmãos de Roma Saúdam a igreja.

 

“Todos os santos vos saúdam, mas principalmente os que são da casa de César”. Fp 4.22

 

Esse homem sob essa circunstância é que declara: “Aprendi o segredo de estar contente”.

 

Vamos refletir em como isso aconteceu na prática a partir do próprio texto:

 

1º - Aprendi a estar humilhado e Aprendi a ser honrado

É fácil estar contente sendo honrado, reconhecido, abraçado, quando alguém te elogia.

Devemos aprender a glorificar a Deus mesmo na vergonha, mesmo quando outros são honrados em nosso lugar, quando alguém é promovido às nossas custas.

 

Alguns aprendem a ser humilhados, mas se perdem quando a honra vem, tornam-se seres vingativos, desejam pisar nos outros.

 

"Há muitos homens que sabem um pouco como se humilhar, mas não sabem nada como ter abundância. Quando são colocados na cova com José, eles olham para cima e veem a promessa estrelada, e esperam uma fuga. Mas quando eles são colocados no topo de um pináculo, suas cabeças ficam tontas e eles ficam prontos para cair”. – Spurgeon

 

·        Ao ascender alguns se orgulham e se perdem

·        Ao ascender alguns se envolvem no canto das sereias do sucesso e não ouvem mais a Deus

·        Alguns cresceram para ajudar outros, mas o dinheiro grudou nas suas mãos.

 

·        Paulo foi chamado de Tagarela em Atenas

 

·        Fugiu de Jerusalém num cesto

 

·        Festo disse que as muitas letras lhe deixaram louco

 

·        Mulheres acusaram Paulo falsamente em Antioquia

 

“São eles servos de Cristo? — estou fora de mim para falar desta forma — eu ainda mais: trabalhei muito mais, fui encarcerado mais vezes, fui açoitado mais severamente e exposto à morte repetidas vezes.

Cinco vezes recebi dos judeus trinta e nove açoites.

Três vezes fui golpeado com varas, uma vez apedrejado, três vezes sofri naufrágio, passei uma noite e um dia exposto à fúria do mar.

Estive continuamente viajando de uma parte a outra, enfrentei perigos nos rios, perigos de assaltantes, perigos dos meus compatriotas, perigos dos gentios; perigos na cidade, perigos no deserto, perigos no mar, e perigos dos falsos irmãos.

Trabalhei arduamente; muitas vezes fiquei sem dormir, passei fome e sede, e muitas vezes fiquei em jejum; suportei frio e nudez”.

2º Coríntios 11.23-27

 

 

Paulo aprendeu a ser envergonhado, humilhado pisado. Ele não tinha nada a ver com os apóstolos e líderes de hoje.

 

Ele também foi honrado

 

·        O povo de Éfeso queimou os livros de Diana

·        O povo de Atenas lhe recebeu no Areópago

·        Ele escreve 13 cartas

 

“Por honra e por desonra, por infâmia e por boa fama; como enganadores, e sendo verdadeiros;

Como desconhecidos, mas sendo bem conhecidos; como morrendo, e eis que vivemos; como castigados, e não mortos;

Como contristados, mas sempre alegres; como pobres, mas enriquecendo a muitos; como nada tendo, e possuindo tudo”.

2º Cor. 6.8-10”

 

 

2 – Aprendi a ter fome e necessidade, fartura e abundância

Estar contente com fome é menos difícil do que quando temos tudo, ao estar na escassez dependemos mais de Deus. Ao estar com portas fechadas, desempregado, valorizamos mais cada coisa.

Nossa grande tentação é quando as coisas estão andando, quando não falta o básico, reclamamos dissolutamente.

Acabamos não apenas com o Maná do dia, mas guardamos porção dupla do Maná e este, cria vermes e bichos.

Paulo aprendeu a depender de Deus.

Paulo aprendeu em outras palavras a oração de Agur:

“Duas coisas te pedi; não mas negues, antes que morra: afasta de mim a vaidade e a palavra mentirosa; não me dês nem a pobreza nem a riqueza; mantém-me do pão da minha porção acostumada; para que, porventura, de farto te não negue e diga: Quem é o Senhor? Ou que, empobrecendo, venha a furtar e lance mão do nome de Deus” Provérbios 30.7-8

 

O que Paulo viveu não foi um estoicismo, foi um conhecimento divino.

Não foi adaptação, foi estar contente apesar da situação.

Isso só é dado a quem crê – Ex. Karnal.

 

Como ele adquiriu esse conhecimento?

 

1.   Paulo se via como um viajante, sua casa era outra – Fp. 3.20

2.   Paulo se via como um guerreiro em combate – 2º Tim. 2.3

3.   Não só isso, ele era um veterano de guerra, isso quer dizer que não necessariamente ele suportou o tempo inteiro essas privações gargalhando, mas que tendo suportado, hoje ele conta com um sorriso no rosto – Em todas essas coisas somos mais que vencedores Rm. 8.37

 

A quarta e principal razão de Paulo é o próprio Senhor

“Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece”.

Filipenses 4.13

·        A razão de Paulo suportar era o Cristo que o fortalecia.

·        Ele não era fortalecido para conseguir tudo, mas para resistir tudo.

·        Não era fortalecido para conquistar, mas era fortalecido para suportar.

·        A graça capacitadora de Deus lhe deu condições – 2º Tim. 2

·        Paulo foi tomado de convicções da palavra.

 

·        Paulo sabia que sob qualquer circunstância era do Senhor – Rm 14.8

·        Paulo tinha o viver em Cristo e o morrer era lucro – Fp 1.21

·        Paulo sabia que a graça se aperfeiçoava na fraqueza – 2º Cor. 12.9-10

 

Nós também somos encorajados hoje a se alegrar, apesar da circunstância:

 

·        Como Habacuque – HC 3.17-20

·        Tirar força das fraquezas – HB 11.34

·        Os discípulos que foram espancados e se alegraram por isso – Atos 5.41

·        Estevão antes de morrer só via os céus abertos – Atos 7

“O valor de uma causa não é determinado pelo que conquisto, mas pelo que suporto ou abro mão em nome da causa”.

·        Temos um pastor – Salmo 23

·        Temos o Senhor ao nosso redor – Salmo 125

·        Ele está conosco todos os dias – Mateus 28.20

 

“Deus é mais glorificado em nós quando estamos mais satisfeitos nEle”. John Piper